quinta-feira, 8 de maio de 2014

A arqueologia da região de Sesimbra

Realiza-se no dia 17 de Maio a conferência subordinada ao tema «A arqueologia da região de Sesimbra», da qual se divulga o programa:
Os oradores são o professor Doutor João Luís Cardoso, docente da Universidade Aberta e presidente do seu Conselho Pedagógico, e a professora doutora Joaquina Soares, directora do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS) e docente da Universidade Nova de Lisboa (FCSH).

Conhecer e divulgar os estudos acerca da história e do património dos territórios tem importância relevante e crucial para a sua protecção, mas também para a contínua construção de uma memória colectiva a nível local, regional e nacional.
Maria Conceição Toscano

terça-feira, 6 de maio de 2014

Bibliotecas digitais - novos rumos para o património

Atenta aos desafios que se colocam aos profissionais da área da informação e da documentação, mas também nas humanidades e da investigação e protecção do património, a APBAD-Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas organiza no dia 12 de Maio um seminário intitulado «Bibliotecas digitais», com apoio da Biblioteca Nacional.
Este seminário tem por objectivo fornecer aos profissionais que trabalham nestas áreas e a todos os interessados as competências necessárias que lhes permitam "organizar, selecionar e distribuir a informação, conservando a integridade dos documentos, compreender as vantagens/desvantagens das bibliotecas digitais e as diversas tipologias que podemos encontrar nas mesmas"

Programa do seminário:
*Colecçoes digitais: Conceitos, definições e objectos
*Planeamento de colecções digitais
*Critérios de selecção dos fundos/documentos a digitalizar
*Projecto de digitalização
*Imagem digital
*Boas práticas em digitalização
*Preparação dos documentos a digitalizar
*Metadados
*Equipamentos de digitalização e suas características
*Organização de colecções de imagens digitalizadas
*Persistência e preservação

As oradoras são Dália Guerreiro e Isabel Roque e o programa completo pode ser consultado aqui.

Maria Conceição Toscano

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Informação e documentação / Património

Património bibliográfico - o valor material e de memória
Tenho desde há uns anos uma enorme vontade de conciliar duas paixões: os conhecimentos teóricos e práticos das ciências da informação e documentação, nomeadamente na área da biblioteconomia, devido à minha profissão e actual realização de pós-graduação; a aprendizagem proporcionada pelo Mestrado em Estudos do Património.
A denominada Sociedade da Informação modificou de modo relevante a forma de pensar e actuar dos profissionais dos serviços de informação, nomeadamente das bibliotecas. Mas, passar de uma era tradicionalmente marcada pela custódia de documentos para uma outra na qual tão despreocupadamente se encaram os livros e restante material à guarda destas instituições, não me parece razoável. Não sou pessoa de extremos, encaro os limites de uma perspectiva muito cautelosa.
Continuo a acreditar que podemos ser inovadores, seguir as novas tendências e continuar a proteger, acarinhar e acautelar o nosso património cultural dentro das bibliotecas, sem termos necessariamente de incorrer em antiquadas visões apenas historicistas. 
Possibilitar a informação e contribuir para a preservação de documentos, construindo verdadeiros acessos ao conhecimento possibilitado pelas novas tecnologias. Este pode ser um caminho para a concretização desta minha vontade:
Seminário da APBAD-Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas: «Bibliotecas digitais para as humanidades: Novos desafios e novas oportunidades»
“No final da ação os formandos deverão ser capazes de ter competências que lhes permitam organizar, selecionar e distribuir a informação, conservando a integridade dos documentos, compreender as vantagens/desvantagens das bibliotecas digitais e as diversas tipologias que podemos encontrar nas mesmas.”  (Comunicação do seminário)

Maria Conceição Toscano





domingo, 7 de outubro de 2012

Visita ao património ferroviário do Barreiro

Em Agosto resolvi sair do meu concelho de Almada e conhecer um património industrial igualmente tão fascinante como se tornou para mim o estudo dos testemunhos materiais ligados à indústria da moagem (a minha escolha para realização da dissertação de mestrado). A partir de conhecimentos que tiveram lugar nas redes sociais, encetei uma abordagem à industrialização do Barreiro e a uma vertente extremamente importante da sua memória histórica: o estabelecimento do caminho de ferro na vila do Barreiro.

A partir de 1861, o Barreiro iniciaria um percurso de evoluções rápidas e de completa transfiguração, tornando-se um nó estratégico nas comunicações, nomeadamente entre o Norte e Sul do país.
O visitante de hoje depara-se com muitos vestígios que lhe possibilitam o conhecimento de um património possuidor de uma enorme carga simbólica e de memória identitária, quer para a cidade do Barreiro, mas também para a história nacional.

Ao visitar o passado e o presente deste património ferroviário, fiquei convicta da sua importância e daí a minha voz se ter juntado às daqueles que defendem a sua urgente preservação.

Em 1861 era inaugurada a primitiva estação do caminho de ferro. O imponente edifício ainda hoje mantém as características originais, com a fachada principal aqui apresentada.

Primitiva estação ferroviária do Barreiro, actuais oficinas da EMEF, Agosto de 2012
O caminho de ferro, com todas as actividades laborais relacionadas, constitui uma poderosa atracção e cada vez mais gente chega ao Barreiro. E começam a ser erguidas as primeiras construções para trabalhadores não naturais da vila. 
O Bairro Ferroviário surge na década de 30 do século passado, com implantação no Largo do Palácio do Coimbra. Reflectia na sua estrutura construtiva as diferenciações existentes no estatuto sócio-profissional dos trabalhadores.
Bairro ferroviário, Largo do Coimbra, Barreiro, Agosto de 2012
Outra das estruturas que conheci durante esta visita foi o edifício que alberga o terminal de mercadorias, com o típico telheiro, exemplo das construções da arquitectura industrial ferroviária.

Terminal de mercadorias, três perspectivas diferentes
Na parte final deste passeio de abordagem ao património ferroviário do Barreiro "aportamos" à estação terminus ferro-fluvial. Inaugurada em 1884, possibilitava o transbordo mais cómodo aos passageiros, uma vez que ficava situada junto ao cais fluvial. Com projecto do engenheiro Miguel Pais, este imponente edifício é inaugurado em 4 de Outubro de 1884, desactivando como estação a anterior de 1861.
Fachada lateral da estação ferro-fluvial do Barreiro, Agosto 2012
Fachada poente e principal da estação ferro-fluvial do Barreiro, Agosto 2012
"Arte e técnica conjugam-se nos elementos arquitectónicos do edifício. A fachada poente virada ao rio, articula elementos decorativos de temática marítima e vegetalista, em estilo neo-manuelino, característico do período romântico" (Fonte: página da Câmara Municipal do Barreiro)

Estação coberta de desembarque, Agosto de 2012
"Na fachada sul, de carácter mecanicista e funcional, está localizado o hangar de embarque dos passageiros. É utilizado o ferro e o vidro, transparente e colorido, materiais construtivos inovadores na época." (Fonte: página da Câmara Municipal do Barreiro)

Encontra-se hoje já desactivada desde a inauguração do novo terminal. Mas ainda é ponto de passagem e usufruto para muitos dos passageiros. E continua merecedora de novas utilizações que a coloquem no lugar de merecido destaque no universo patrimonial arquitectónico do Barreiro e também a nível nacional, como ex-líbris da construção industrial portuguesa.

A minha visita ficou incompleta uma vez que não conheci as máquinas, o património móvel complemento fundamental deste universo patrimonial e causa das construções que surgiram de norte a sul do país.
Mas esta primeira abordagem certamente possibilitou o conhecimento de um património importante, imponente e valioso, merecedor de atenção, não somente por parte do associativismo, nas actividades e encontros desenvolvidos por cidadãos interessados, mas também do poder local (que certamente conhece  a sua mais valia, a avaliar pelos conteúdos da página da autarquia, que consultei) e certamente a nível nacional.
Outras visitas serão necessárias para conhecimentos mais aprofundados e de apoio à preservação, instalação de núcleos museológicos, reutilização e usufruto dos vestígios materiais de uma das mais importantes (r)evoluções industriais do nosso país.

Conceição Toscano





sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Almada e o nosso património arqueológico

Organizada pelo Centro de Arqueologia de Almada e apoiada pelo poder local, nomeadamente Junta de Freguesia de Almada, realizou-se no passado dia 22 deste mês, a visita ao património arqueológico de Almada.

O ponto de encontro dos participantes foi o edifício dos Paços do Concelho, pertencente outrora aos arrabaldes do núcleo medieval.
Nas palavras de Vanessa Dias, a nossa guia, o que podemos encontrar nos dias de hoje em maior número são as estruturas negativos, no solo, que se foram conservando; ao contrário das construções à superfície que foram sendo "vítimas de alterações" devido às sucessivas ocupações.

Foto do Museu do Sítio. A legenda explicativa assim nos situa: "Compartimento de habitação com porta para a rua. No interior, um silo completo com tampa. No chão, vasilhas de armazenagem (talha e bilha) e transformação (alguidar de amassar) do séc. XIV."
Um ponto de visita muito interessante, de dimensão algo reduzida, mas com evidente mais valia para o apaixonado pela história e património do concelho, nomeadamente quanto à ocupação muçulmana, da qual existem vestígios em Almada a partir do séc. IX, e também ao período medieval e moderno. 

O grupo avança pelas ruas estreitas de Almada Velha em direcção ao Castelo, fazendo uma paragem na Igreja de Santiago (pertencente à Ordem de Santiago, donatária de Almada desde 1186), construída fora das muralhas.

O jardim do Castelo possibilita-nos uma panorâmica dos arrabaldes medievais. Nota de referência para o miradouro e o coreto, embora desfasados do contexto da temática da visita. 

O Castelo de Almada apresenta-se hoje completamente descaracterizado devido ao restauro moderno. O seu interior não é visitável, servindo como instalação da guarnição da GNR. A conquista por parte de D. Afonso Henriques deveu-se à sua implantação em zona estratégica.

Situada num esporão possibilitador de controlo absoluto do território, o Almaraz, na posse da Câmara Municipal de Almada, foi o próximo ponto de visita.
Parte do povoado está destruída devido à sua exploração, durante a época medieval, como pedreira. À primeira vista e sem transpormos os portões nada é visível que ateste ao visitante a importância deste aglomerado, na Idade do Bronze e posteriormente na Idade do Ferro, mas os testemunhos materiais encontrados, e já estudados pelos arqueólogos, são reveladores dos contactos culturais existentes entre os fenícios e os povos autóctones, tendo constituído uma comunidade rica, com recolha de espólio valioso. Como pormenores apresentada pela nossa guia, foi-nos referido que a metalurgia era uma actividade muito presente nesta população, assim como a tecelagem. Este povoado constitui o primeiro indício de urbanização de Almada - o seu núcleo inicial.
Os arqueólogos encontraram alguns materiais  testemunhando a conquista romana. Estando este povoado situado numa implantação de altura não era atractivo para a fixação dos romanos que prefeririam Lisboa, uma zona plana, enquanto nesta margem sul do Tejo aqui se fixariam os sectores rural e industrial.

A paragem seguinte deste roteiro arqueológico de Almada seria para uma apreciação rápida de uma casa de contexto urbano, de arquitectura pombalina.

O percurso continuaria, detendo-nos defronte da fachada principal da Igreja da Misericórdia, onde pudemos ouvir que aqui ocorreram descobertas de sepulturas no interior, testemunhas de enterramento intencional.

O passeio terminaria na Rua da Judiaria com a oferta de uma visualização inesperada - um silo medieval situado debaixo do pavimento da rua e coberto com uma tampa de esgoto; uma descoberta efectuada no decurso de obras de saneamento e preservada através da única forma possível dada a sua localização.

A arqueologia em contexto urbano foi a protagonista desta visita. Assinalo a complementaridade do trabalho desenvolvido entre a Junta de Freguesia  de Almada e a instituição organizadora, o CAA. O poder municipal desempenha um papel de salvaguarda do património arqueológico em meio urbano que, convém assinalar, se constitui e potencia devido a acções particulares e associativas. 



Conceição Toscano




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Roteiro arqueológico em Almada Velha

Organizada pelo Centro de Arqueologia de Almada, realiza-se, no dia 22 de Setembro, a visita ao património arqueológico de Almada Velha.

O ponto de encontro é nos Paços do Concelho, às 10 horas.

Fonte: Página do Centro de Arqueologia de Almada no Facebook

Conceição Toscano

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Leituras do património

Depois de um interregno não planeado, aqui ficam algumas das leituras realizadas durante as férias.

Pedra & Cal Nº3, Julho/Agosto/Setembro 1999
"A valorização do património cultural, e em particular, do património arquitectónico, tendo em vista a sua utilização para fins turísticos, é uma das formas mais eficazes de estimular a sua salvaguarda e de criar as receitas necessárias para o respectivo financiamento." (V. Cóias e Silva, no Editorial «Património e turismo: um casamento de conveniência»)

«Mecenato cultural em Portugal», por Anabela Antunes Carvalho e Isabel Rodrigues Cordeiro
«Cultura e turismo: para uma economia de mercado», por Válery Patin






Pedra & Cal Nº16, Outubro/Novembro/Dezembro 2002
"As repercussões da nova rede de transportes foram imensas. A ligação entre as cidades e a província contribuíu, decisivamente, para o acesso à "civilização" de um interior ostracizado, e a economia ganhou um renovado impulso. [...] E o comboio foi rapidamente integrado pela nossa cultura e acarinhada pela nossa gente. Para além do entusiasmo dos "fans", os caminhos-de-ferro constituem, hoje, um valioso património construído que o país não pode ignorar e, muito menos, desperdiçar." (V. Cóias e Silva, no Editorial «Os caminhos-de ferro como património cultural»)

«As estações ferroviárias - evolução e história», por Simões do Rosário
«As infraestruturas ferroviárias em Portugal: o século XIX», por Jorge Paulino Pereira
«O Museu da Carris», por Leonor Silva

Pedra & Cal Nº48, Outubro/Novembro/Dezembro 2010
"O património cultural passou, assim, a englobar não só as construções, as esculturas, pinturas e outros objectos físicos - o património cultural material - que recebemos das gerações passadas e de que tanto nos orgulhamos, mas também o património cultural imaterial: tradições orais, saberes ancestrais, músicas, cantares e danças tradicionais, ou seja, todo um conjunto de referências identitárias tão importantes para certas comunidades humanas como os monumentos e edifícios históricos são para outras." (V. Cóias e Silva, no Editorial «12 anos de Pedro & Cal: Tempo para "desmaterializar"»)

«A Convenção do Património Cultural Imaterial: Contexto e aplicação na reabilitação do edificado», por Clara Bertrand Cabral
«Património imaterial: Onde mora a alma de um povo», por Alexandre Parafita
«Rugologia: O arquivo da rua», por Constança Saraiva
«Novas tecnologias ao serviço do património: A fotografia panorâmica 360º e realidade virtual», por António Cabral

Pedra & Cal Nº50, Julho/Agosto/Setembro 2011
"Estamos na era das novas tecnologias e da globalização e surge também uma nova ideia, do trabalho em rede, que deverá contribuir para que associações e empresas unam esforços e criem parcerias que, agindo de forma integrada, formem uma rede alargada de conhecimento da realidade existente ao nível do património edificado e grupos de intervenção, de modo a transformar o património abandonado nas áreas envolventes dos centros urbanos, que, reconhecidamente, mereça ser tornado útil e belo, para que as novas gerações encontrem nas nossas cidades espaços interessantes, onde possam (con)viver." (Carlos Freire, no Editorial «Associativismo, voluntariado e trabalho em rede»)

«Que futuro para um passado esquecido», por Bartolomeu de Noronha
«Património cultural e associativismo», por Francisco Sousa Lobo e Sofia Costa Macedo

Conceição Toscano